Execute-se, de Jonas Esteves, no Espaço Fernando Beck

Inspirada em seriados e desenhos animados da infância do artista, que trabalha com arte e tecnologia, a exposição Execute-se, de Jonas Esteves, pode ser visitada no Espaço Fernando Beck da Fundação Cultural Badesc. A mostra é uma espécie de manual de instrução de projetos, com ideias, desenhos e ficções que escondem em seu íntimo a devoção do artista pelas máquinas.

Execute-se é a terceira exposição do ano selecionada pelo Edital Fernando Beck da Fundação Badesc e é dividida em Esquemas de montagem, Máquina do tempo, Máquinas de apoio, manutenção e suporte à vida e Robô companhia 1.0, que estabelecem uma narrativa de ficção científica.

Os Esquemas de montagem consistem em desenhos feitos em camadas de acrílico, com detalhes de projetos robóticos, que se complementam em um domínio tridimensional; a Máquina do Tempo é um vídeo sobre um mecanismo robótico em movimento; em Máquinas de apoio, manutenção e suporte à vida, o artista exibe uma classificação das máquinas já construídas por ele, e Robô companhia 1.0 é a materialização de um de seus projetos.

Nascido em São Paulo e formado em artes visuais pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), Jonas vive em Criciúma.

O quê: exposição Execute-se, de Jonas Esteves. Quando: Visitação até 25 de julho, de segunda a sexta, das 12h às 19h. Onde: Fundação Cultural Badesc. Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis. Quanto: gratuito.

Exposição Diálogos Expostos inaugura Espaço 2

A Fundação Cultural Badesc apresenta a coletiva Diálogos Expostos, que inaugura o Espaço 2, reunindo desenho, moda, fotografia, pintura, gravura, design, instalação, vídeo dança, vídeo performance e música. O novo espaço está localizado no segundo piso do casarão, onde funcionava a sala da direção geral da instituição.

Para a curadoria, a direção da casa convidou 10 empreendedores culturais que selecionaram 10 artistas e suas obras. Sandra Makowiecky apresenta Juliana Hoffmann; Néri Pedroso, Franzoi; Isabela Sielski, Kelly Kreis Taglieber; Diego de los Campos, Andressa Proença Rosa; Nilton Tirotti, Inverso Design; Philippe Arruda, Marco Giacomelli; Neide Schulte, Isabel Possidonio; Bárbara Rey, Adilso Machado; Acácio Piedade, Diogo de Haro e Rodrigo Garcez, Gregori Homa.

Na abertura, no sábado, dia 7 de junho, houve uma performance de Gregori Homa , apresentando a performance Logunéde, com personagens dançando ao som de um DJ. Logunéde é um vídeo performance que está sendo exibido junto com a vídeo dança O estado em que me encontro, de Adilso Machado, em uma sala especialmente preparada para o evento.

Segundo Eneléo Alcides, diretor geral da Fundação Badesc, “a exposição firma ação propositiva para que o espaço teça seu ethos ao longo de diálogos com o público, com os setoriais da arte, com as manifestações mais espontâneas da cidade.” 

O quê: exposição Diálogos Expostos, que inaugura o Espaço 2.

Quando: visitação até 31 de julho, de segunda a sexta, das 12h às 19h.

Onde: Fundação Cultural Badesc. Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis. 

Quanto: gratuito.

Lançamento do livro Margem, de Graciela Kruscinski

Graciela Kruscinski lança Margem, na Fundação Badesc

Livro de estreia da escritora faz uma imersão pelo romance de autoficção

A escritora Graciela Kruscinski lança Margem, seu livro de estreia, em 5 de junho, quinta-feira, às 19 horas, na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis. Escrito a partir de um autorretrato realizado com a técnica de dupla exposição na sala escura do laboratório fotográfico, Margem brinca com o romance de autoficção.  A publicação recebeu o Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura 2013.

A escrita de Graciela é embalada por uma cartografia afetiva, estabelecida pelo encontro espaço-temporal entre a casa onde nasceu, em Rio do Sul, o asfalto e o rio, que delimitam sua prosa. Na região, o que era a rota dos tropeiros foi transformada em rodovia federal, negligenciada e identificada pelo constante número de acidentes, e próxima ao rio Itajaí-Açu com suas populações marginais e a falta de política para seu desenvolvimento.

“A busca pela ficção do meu retrato que se transfigura em enleio de rio começa na junção de texto e imagem e numa vontade constante de não delimitar fronteiras para o ficcional. A tentativa de um movimento entre texto e imagem num espelho que me devolvesse sempre o que já foi e também o que já não é”, reflete a autora.

A apresentação do livro é feita pelo crítico e professor de literatura Antônio Carlos Santos. Para ele, Graciela “tem a veia da narrativa, de alguém que sabe contar uma história e que sabe jogar com os caminhos da ficção, montando uma vida com pedaços de outras vidas, com as imagens que vão nos inserindo em uma atmosfera muito singular”.

O livro Margem estará à venda por R$ 25,00 no lançamento.

O quê: lançamento do livro Margem, de Graciela Kruscinski. Quando: 5 de junho, quinta-feira, às 19h. Onde: Fundação Cultural Badesc. Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis. Quanto: entrada gratuita.

Mais informações: www.projetomargem.com

Fundação Badesc apresenta exposição Coradjetiva

Mostra reúne José Maria Dias da Cruz, Flavia Tronca e Laura Villarosa

A cor como um exercício de construção plástica é o mote que une José Maria Dias da Cruz, Flavia Tronca e Laura Villarosa, os três artistas que compõem a exposição Coradjetiva. Esta é a segunda mostra do ano selecionada pelo Edital Fernando Beck 2014 da Fundação Cultural Badesc.

José Maria faz experiências no plano teórico, desenvolvendo um pensamento sobre a cor em sua obra plástica. Flavia experimenta a variedade de tintas e suportes, mas a matéria fica em segundo plano e o que se destaca é a cor. Laura dispõe de uma paleta de cores a partir do computador e trabalha com estamparia.

O carioca José Maria publicou os livros A cor e o cinza, O cromatismo cezanneano e Pintura, cores e coloridos. Flavia nasceu no Grande do Sul. É mestre em educação estética e tem paixão pelas características sociais da arte. Laura é italiana da cidade Palermo e vive como artista no Rio de Janeiro

Nas palavras de Flavia, a exposição é um convite a viver a experiência da cor como um dispositivo que privilegia a imagem saturada de memórias, que agora também pertencem ao público.

O quê: exposição Coradjetiva, de José Maria Dias da Cruz, Flavia Tronca e Laura Villarosa. Quando: visitação até 18 de junho, de segunda a sexta, das 12h às 19h. Onde: Fundação Cultural Badesc. Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis. Quanto: entrada gratuita.

Fundação Badesc seleciona participantes para a 2ª Entremostras

A Fundação Cultural Badesc realiza no sábado, das 10 às 16 horas, a segunda edição da Feira de Artes Entremostras. A seleção dos trabalhos foi realizada esta semana. Houve 69 inscrições, 12 a mais do que a primeira edição, realizada no final de 2013. Há trabalhos de artes visuais, música, moda, vídeo e literatura. A proposta da feira é ser umespaço para o artista apresentar sua produção e comercializar suas obras. Para o público, uma oportunidade de conhecer e conversar com os artistas sobre seus processos criativos e também adquirir obras com preço acessível. As peças não podem ultrapassar o valor de R$ 1.000,00.

 

SELECIONADOS

 

ARTES VISUAIS
Adriana Maria dos Santos
Diego de los Campos
Kuke Castiñeras
Lena Muniz
Joana Amarante
Alice Yumi
Coletivo Toca
Sol Jaras
Eliane Veiga
Gabriela Caetano
Karina Segantini
Paula A Martins
Rosana Bortolin
Pauline Zenk
Calazans
Luciano Boletti
Fabio Abbud
Mohamed Helal
Augusto Murad
Pablo Paniagua

LITERATURA
Laura Lavergne

MÚSICA
Capitão Bala
Jéferson Dantas
Enéias Raasch

VÍDEO
Leandro Lopes de Souza
Jurandi Juca

MODA
Helena Kussik

Inscrições para oficina de videoarte estão esgotadas

Estão esgotadas as vagas para Oficina de Videoarte com Nilton Tirotti, que ocorre nos dias 5 e 6 de junho, quinta e sexta-feira, das 13h30 às 17h30, na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis. Além dos inscritos, já há uma lista de espera de 16 interessados.

O ministrante é artista, graduado em design pela Faap de São Paulo e mestre em design pela UFSC. É uma oficina com exercícios práticos. Não é obrigatório, mas a organização sugere que os participantes tragam celulares, câmeras fotográficas, filmadoras ou qualquer equipamento com recurso de vídeo.

A atividade faz parte da Mostra Périplo, que consiste num circuito de vídeos de artistas catarinenses por seis cidades do Estado. A Mostra vai exibir, no dias 5 e 6 de junho, às 17h30, também na Fundação Badesc, 20 trabalhos selecionados por Claudia Zimmer, Nilton Tirotti e Raquel Stolf. Os participantes são Ale Mello, Bil Lühmann, Coletivo Toca, Diego de los Campos, Diovane Rubens Riedel, Fernando Weber, Fran Favero, Jenny Granado, Karina Zen, Márcia Camargo, Muriel Machado, Rafael Schlichting, Rosa&Klein, Ruth Steyer, Sérgio Adriano H, Valent.

Nilton Tirotti nasceu em São Paulo em 1957, vive e trabalha em Joinville. Exposições individuais: O possível fragmento – Galeria de Arte do SESC Chapecó [2013]; Memória pele – Galeria de Arte Contemporânea da Fundação Cultural de Criciúma [2011]; Degradação no Galpão 13 da AAPLAJ [2008] e Minudências na Galeria Municipal de Arte Victor Kursancew [1998]. Prêmio aquisição das obras: Seres Outros [9º Salão Chapecoense de Artes – 2011], A Porta da Caverna no sec. XXI [9° Salão de Artes de Itajaí – 2003]. Ministrou oficinas de videoarte em: SESC de Joinville [2013], SESC de Chapecó [2013]; AAPLAJ em Joinville [2009], curso de vídeo: AMORABI em Joinville [2011]. Professor universitário com disciplina de videoarte, Artes Visuais [2001 a 2011]. Atualmente ministra a disciplina de Cinema e Vídeo no curso de jornalismo na faculdade Bom Jesus/IELUSC

7º Múltipla Dança tem programação na Fundação Badesc

O 7º Múltipla Dança – Festival Internacional de Dança Contemporânea movimentará Florianópolis entre 20 e 25 de maio com espetáculos, oficinas, palestra, diálogos, homenagem e interlocuções. Na Fundação Cultural Badesc ocorrerá mostra de vídeos, de documentários e lançamentos de livros. O projeto foi contemplado pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna/2013.

Confira a programação.

LANÇAMENTO
Três livros sobre dança
Dia 22, quinta-feira, às 19h 
Lançamento dos livros Dança com a crítica, organizado por Joubert Arrais; Uma vida em dança – Movimentos e percursos de Denise Stutz, de Lilian Vilela; e Antropologia da dança I, organizado por Giselle Guilhon Antunes Camargo. A programação faz parte do 7º Múltipla Dança – Festival Internacional de Dança Contemporânea.

MOSTRA DE VÍDEO DANÇA

Dia 20, terça-feira, às 19h

Classificação indicativa: 14 anos

CURTAS INTERNACIONAIS
Fuera de los Márgenes, de Ivan Stur e Magdalena Stover, Argentina, 2011. 4 min. Coreografia: Magdalena Stover.
TurnAround Tango, de Marites Carino, Canadá, 2012. 7min. Coreografia: 605 Collective.
Anatomy Theater, de Alessandro Amaducci, Itália, 2012. 3 min.
Prélude sur les rives de I’eau qui songe, de Sonia Torres e Violeta Iriberri, Espanha, 2011. 2 min. Coreografia: Sara Aicha Sánchez.
Nostalgia, de Karin Idelson, Argentina, 2012. 5 min. Coreografia: Andrea Servera. 
Amenta, de Catarina Miranda, Portugal/Alemanha, 2012. 7min.
SITE SPECIFIC-INTERNATIONAL
Topos, de Paula Montecinos, Chile, 2011. 6min.
Pecas V 1.0, de Nayeli Benhumea, México, 2012. 3min.
Al Borde, de Sonia Torres, Violeta Iriberri, Abel Fernández e Javier Morales, Espanha, 2011. 3min. Coreografia: Victoria Kudrina.
Loop, de Francesca Maria Svampa, Itália, 2012. 3min. Coreografia: Ramona Di Serafino.
Landscape duet, De Pierre Larauza, Bélgica e Hong Kong, 2012. 16min. Coreografia: Emmanuelle Vincent.
Dia 21, quarta-feira, às 17h
BIG DANCE SHORTS
Double take, de Sam Hodges e Ben Duke, Reino Unido, 2012. 3 min.
The click, de Heather Eddington, Pete Shenton e Tom Roden do New Art Club, Reino Unido, 2012. 3min.
Vida longa, de Bertie e Ponciano Almeida, Reino Unido, 2012. 3min.
Swim, de The Brothers McLeod e Struan Leslie, Reino Unido, 2012, 3min.
On the otherside, de Felix Harrison e Kate Prince, Reino Unido, 2012, 3min.
DOCUMENTÁRIO
Ballet do Desterro: Contemporaneidade na Dança Catarinense
De Jussara Xavier, Brasil, 2009. 27 min. Documentário. Livre.
O documentário apresenta o Ballet Desterro (1984-1992), um importante grupo da dança catarinense que teve a diretora e coreógrafa Sandra Meyer como co-fundadora.

 

Dia 22, quinta-feira, às 19h
Limiares, Anderson João Gonçalves
De Sandra Meyer, Santa Catarina, 2013. 56 min. Documentário. 14 anos
Filme sobre “ser” artista, um “corpo-artista”, com suas idiossincrasias e intensidades.
Convidados: Sandra Meyer e equipe do filme

 

Dia 23, sexta-feira, às 19h
Classificação indicativa: livre
DANÇA EM FOCO 10 ANOS – VÍDEODANÇA BRASIL
DANÇA EM FOCO 2007
Partida, de Luis Carlos Bizerril e Alexandre Veras, Ceará, 2007. 13min. Coreografia: Ernesto Gadelha
Um movimento quase qualquer, de Cecília Lang, Rio de Janeiro, 2003. 13min. Coreografia: Dominique Mercy e Malou Airaldo.
Fliessgleichgewicht, de Andre Semenza, Minas Gerais, 2002. 11min. Coreografia: Fernanda Lippi.
FF>>, De Karenina dos Santos, Letícia Nabuco, Marcelo Stroppa e Tatiana Gentile, Rio de Janeiro, 2007. 5min. Coreografia: Karenina de Los Santos, Letícia Nabuco e Marcelo Stroppa.
Por onde os olhos não passam, de Paulo Mendel, Rio de Janeiro, 2003. 6min. Coreografia e interpretação: Andréa Maciel.
Esfolada, de Henrique Rodovalho e Kleber Damaso, Goiás, 2004. 6min. Coreografia dos intérpretes-criadores da Desvio.
DANÇA EM FOCO 2008
Mãos, de De Lilyen Vas, Rio de Janeiro, 2008. 4min. Coreografia: Lilyen Vass.
DANÇA EM FOCO 2010
MARA HOPE 14/07, de Alexandre Veras e Paulo Caldas, Rio de Janeiro/Ceará, 2007. 16min.
Bokeh, de Breno César, Pernambuco, 2007. 5 min. Intérpretes-criadores: José W Júnior, Liana Gesteira, Marcelo Sena, Marta Guimarães.
DANÇA EM FOCO 2011
Maxixe, de Breno César, Pernambuco, 2010. 7min. Coreografia: José W. Júnior, Liana Gesteira e Marcelo Sena.
Duo #1, de Gustavo Gelmini e Paulo Caldas, Rio de Janeiro, 2010. 5min. Coreografia: Paulo Caldas.
Partida, de Andrea Maciel, Rio de Janeiro, 2009. 5min.
Bossa chinesa, de Daniel Augusto, São Paulo, 2008. 4min. Coreografia: Cia. Vitrola Quântica.

Lançamento do livro Anatomia da Pedra & Tsunamis

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Poeta Marco Vasques completa a sua Trilogia das Ruínas com o lançamento do livro Anatomia da Pedra & Tsunamis

 Anatomia da Pedra & Tsunamis é o novo livro de poemas de Marco Vasques.  A obra, que será lançada no dia 15 de maio, às 19h, na Fundação Cultural Badesc, e completa a chamada Trilogia das Ruínas. O primeiro livro, Elegias Urbanas, foi publicado em 2005 pela editora carioca Bem-te-vi; o segundo, Flauta sem Boca, foi publicado em 2010 pela editora catarinense Letras Contemporânea. Anatomia da Pedra & Tsunamis mantém o tom elegíaco das obras anteriores e vem todo ilustrado com desenhos da jovem artista joinvilense, Carol Silva.

Para Valdir Rocha no livro Anatomia da Pedra & Tsunamis:  “Marco Vasques planta silêncios, regando com lágrimas petrificadas versos e prosa poética. Anatomia da Pedra & Tsunamis, olhado em um primeiro momento parece ser livro de poucas palavras. Mas é para ser lido e, quando isso se dá, constata-se que diz o necessário, estritamente. O poeta cortou na própria carne, sua e de cada poema, todo excesso. Para que jogar palavras ao vento, quando o morto / a morte só pede um gesto de contemplação? A anatomia que se empreende conduz a estudo dilacerado do corpo morto, sem dissecação física, e de “vivos devastados”; estes com todos os cortes – sem suturas – inevitáveis. Proponho que Anatomia seja lido como se cada um estivesse a elaborar uma cena de cinema. O livro crescerá diante de olhos diretores.”

No lançamento, os 100 primeiros livros serão gratuitos. Após a distribuição dos 100 primeiros a obra custará R$10,00.

 

SOBRE O LIVRO 

Anatomia da Pedra & Tsunamis:
a necessária força da poesia

Por Rubens da Cunha

Como se posicionar diante da Anatomia da Pedra & Tsunamis, este canto compacto, sólido, que se estende por 30 poemas que nasceram a partir da reverberação de uma tragédia: o terremoto que ocorreu no Haiti em 2010? Anatomia da Pedra & Tsunamis é a última parte uma trilogia, cujos livros precedentes são Elegias Urbanas, (2005, Editora Bem-te-vi) e Flauta sem Boca, (2010, Letras Contemporâneas). Os três livros se conectam e dialogam sobre e a partir da luta do poeta contra o estado de pedra, de aço e de metal em que a vida humana se encerrou. Assim, o leitor deve se posicionar mais como um parceiro nessa luta do que como espectador. E se trata de um posicionamento sem esperar vitória, sem esperar resgate ou redenção e, sobretudo, parodiando a oitava regra do filme Clube da Luta, se for a sua primeira vez nesse livro, o leitor tem que lutar. O livro Anatomia da Pedra & Tsunamis, bem como toda a poesia de Marco Vasques, não permite que o leitor se exima ou se abstenha da luta e de enfrentar a força dos poemas talhados na surpresa e no caos.

A luta traçada e vivida por Vasques vem desde Elegias Urbanas, que é um livro breve com 25 poemas, ou 25 elegias, sem títulos e que trazem reflexos de um homem perdido dentro da urbanidade, recheado de melancolia, de um desespero contumaz diante da percepção de que não há um lugar individual, solitário, idealizado, mas apenas o lugar dentro da cidade, dentro do trânsito, do caos, dentro de uma humanidade morta, vítima que é da indiferença. O homem exposto nesses primeiros poemas é uma criatura urbana que recicla o caos, que se dilacera diante da barbárie, às vezes andeja pelas ruas, às vezes se esconde dentro de casa ou dentro de si mesmo, mas sempre está vivendo em busca de um sentido.

No livro seguinte, Flauta sem Boca, o poeta andante se recolhe, centra-se sobre sua subjetividade, ruína-se por dentro numa tentativa de se igualar ao mundo. Pautado pelas notas musicais, os poemas alongam-se numa orquestração entre a catástrofe e o silêncio. Não são elegias, são gritos assombrando-se com uma música tensa. A luta nessa flauta sem boca é outra, talvez mais contundente porque solitária demais, porque lúcida demais em seu vício de lutar contra o mundo concreto ao mesmo tempo que se vê assimilado por ele. Nesta assimilação a pele, a palavra, a alma se fazem perda, porém, a certa altura, o poeta musica-se entre a derrota e a esperança: “braços e pernas de concreto / se fundem ao meu corpo / eu não sou mais eu / sou aquela pedra / que dorme / em forma de corpo / mas que ainda sonha / e se solidifica / até a ternura morder-se.” Assim, Flauta sem boca respira alguma vontade de transformação, de modificação de que a vida não é esse insulto à sensibilidade que se estabelece dia a dia como uma verdade ditatorial.

Por fim, em Anatomia da Pedra & Tsunamis, o poeta lutador sai de sua própria luta e aceita-se tatame para uma tragédia, impondo ao leitor que também saia de seu posto de parceiro de luta e se irmane no chão em ruínas. No mundo dos acidentes naturais, um dos mais imprevisíveis é o terremoto. É uma ameaça subterrânea, um fantasma que assoma no repente. O sismo prova a instabilidade a que o humano está submetido. A alta tecnologia pode detectar alguns indícios prévios do acontecimento; a engenharia pode construir edificações mais resistentes, mas uma vez que o fantasma acorde, nada pode ser feito, a não ser se desesperar e esperar que aquilo tudo passe. Depois, sobre a terra, restam apenas escombros. Em 2010, esse fantasma surgiu no Haiti: um dos lugares mais pobres do planeta. Nem foi um dos terremotos mais fortes, mas bastou para assolar o país. O trágico que já pulsava em toda injustiça, desigualdade, miséria que admoestava o Haiti,  aumentou ainda mais com este sismo, que geograficamente ocorreu há 10 km de profundidade e teve como epicentro a Península de Tiburon e, poeticamente, também ocorreu no corpo sensível de Marco Vasques. Depois que soube da notícia, o poeta, feito um guardador de rebanhos, sentou-se e pulsou seus breves e graves terremotos, espalhou essas ruínas sobre as páginas. O poeta terremotou-se também. Não estava lá, nunca passou por um terremoto real, mas como nos livros anteriores, ele é todo empatia com o sofrimento, com o destino incauto e inseguro do humano. A empatia é esse sentir dentro, esse  Einfühlung em que a pessoa tem que perder a sua identidade no outro. O filósofo Theodor Lipps caracterizava a empatia como um processo de imitação interna e involuntária, no qual a pessoa se identifica através do sentimento com o movimento de outro corpo. Por sua vez,  Edith Stein alarga tal conceito e diz que a empatia é uma forma cega de conhecer que é capaz de alcançar a experiência do outro, sem ter que passar por essa experiência. Ora, essa forma cega de conhecer é que Marco Vasques expõe em seus poemas. Os 20 primeiros reverberam o próprio terremoto. Depois, 10 poemas em prosa, intitulados Tsunamis trazem a força das ondas que não raro acontecem após o terremoto. Tanto na primeira parte, quanto na segunda, trata-se de um pressuposto ético que se estabelece em diálogo com a ruína alheia, como se fosse a própria ruína, o própria carne recoberta nas cinzuras do terremoto: “abraços me alcançam / deste  / cemitério de cinza / mastigo / o jardim de desespero / sem laquê”. O poeta prostra-se todo prenhe de tragédia e escreve em fragmentos, em versos quebrados, em densas pedaços de concreto, pois o que tem, agora que não luta, que não atinge o mundo gritado e gritante que sempre enfrentou, é somente o “verso / servo da mudez”, somente possui “pedras e sentidos / no som sem sumo”. O terremoto de Vasques é uma anatomia fotográfica explícita e cruel. O poeta testemunha nos versos iniciais: “mesa posta / mortos beijam / o café matutino / beijo todo os olhos / desses corpos soterrados / que azulejam o cimento / à procura de um céu”. Nessa dupla sequência de beijos, o que segue é a visão nada estanque de alguém que não presenciou o terremoto fisicamente e, por isso, está livre para ser outro tipo de testemunha: aquela que pode transcrever a tragédia pelo poético. Não corresponde à verdade, dirão os órfãos do Realismo, porém corresponde à outra verdade: a verdade empática e enfática daquele que não se imuniza e nem sai imune das coisas. No tsunami final pode-se ler essa verdade: “e nenhuma flor ou círio faz sentido silêncio silêncio tsunami é a alma. afogados leem meu corpo e não posso agarrar o sonho nas duas mãos. silêncio silêncio duas almas abrem a garganta da noite e enterram dois corações de meninas na última brancura que me resta.”

Se o poeta já lutou em suas elegias urbanas, já tocou uma música impossível em flauta sem boca, agora ele testemunha a anatomia da pedra e os tsunamis na alquebrada catástrofe daqueles escombros ilhados e distantes, mas que também o atingiram. Assim como os leitores de Marco Vasques, parceiros na luta, também serão atingidos e transformados pelo sismo poético que se depreende dessas páginas de Anatomia da Pedra & Tsunamis.

 

O AUTOR

Marco Vasques é poeta, contista, crítico de teatro e de literatura. Bacharel e licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina.  É mestrando em Teatro/UDESC. Tem publicado os livros Cão no Claustro (Poemas, 2002, Letradágua, SC),Elegias Urbanas (Poemas, 2005, Bem-te-vi, RJ), Diálogos com a literatura brasileira – volume I (entrevistas, 2004, EdUFSC/Movimento, SC/RS), Diálogos com a literatura brasileira – volume II (entrevistas, 2007, EdUFSC/Movimento, SC/RS), Diálogos com a literatura brasileira – volume III (entrevistas, 2010, Letradágua, SC), Flauta sem Boca (poemas, 2010, Letras Contemporâneas, SC) e Harmonias do Inferno (contos, 2010, letradágua, SC). É colaborador das revistas Zunái (SP), Sibila (SP), Coyote (PR) e Agulha (CE). É cronista semanal e crítico teatral do jornal Notícias do Dia. Já foi colaborador dos jornais A NotíciaDiário Catarinense, Rascunho entre outros. Tem contos e poemas publicados nas revistas AgulhaBabelCoyote, BlauCult. Foi diretor de cultural da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes, onde criou o projeto Terça com Poesia ao lado do poeta Rodrigo de Haro. Fio Presidente da Comissão Permanente de Cultura de Florianópolis. Fundador do jornal literário Capitu Traiu!, em Joinville em 1997.  Como diretor teatral montou Valsa n.6 de Nélson Rodrigues, Vírgula da Vida ou Monólogo Coletivo texto de Marco Vasques e Quatro Traço de Vidas espetáculo baseado nas obras poéticas de Mario Quintana, Drummond, Manoel Bandeira e Cecília Meireles. Foi membro do Conselho Estadual de Cultura de Santa Catarina e exerce o cargo de Consultor de Projetos Especiais na Fundação Catarinense de Cultura. É editor da Revista Osíris Literatura e Arte, ao lado do poeta Rubens da Cunha. É, também, editor-chefe do Suplemento Cultural de Santa Catarina [ô catarina].

 

O quê: Lançamento do livro Anatomia da Pedra & Tsunamis
Quando: Dia 15 de maio, quinta-feira, às 19 horas.
Onde: Fundação Cultural Badesc. Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis.
Quanto: gratuito.

Minicurso Lima Barreto, por Cristiano Mello de Oliveira

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A Fundação Cultural Badesc realiza no dia 30 de maio, das 14h às 18h, o minicurso O arquivo inédito do escritor Lima Barreto na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. O ministrante é Cristiano Mello de Oliveira, especialista em Literatura Brasileira e História Nacional pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná . É mestre e doutorando em Literatura pela UFSC.

O minicurso é indicado para alunos da graduação e da pós-graduação em Letras e demais interessados na dualidade literária e histórica. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas por meio do envio de um email para fundacaoculturalbadesc@gmail.com até 23 de maio, com o título “Oficina Lima Barreto”, informando nome e formação acadêmica.

Os manuscritos sobre a escravidão no Brasil do escritor Lima Barreto na Biblioteca Nacional foram pesquisados por Cristiano, que vai relatar como foi esta experiência. O material revela profundas relações com o contexto histórico da época, assim como evidencia desdobramentos na obra literária do autor.

A finalidade do minicurso é capacitar os alunos a conhecerem panoramicamente a vida e o legado intelectual e artístico do escritor; instigar o interesse pela dualidade literária e histórica; compreender as principais articulações da obra de Lima Barreto no Brasil e suas relações intelectuais e promover o diálogo da obra de Lima Barreto com o pano de fundo histórico, sociológico e artístico europeu.

Cristiano é também membro do grupo de pesquisa História e Tradução. Atualmente investiga o Novo Romance Histórico Brasileiro. É autor do livro “Ficção e documento: debates e entrevistas imaginárias sobre temas polêmicos com Mário de Andrade”.