Em meia hora de filme, Eliatar Silva – o Tatá, oleiro há 40 anos, compartilha os detalhes do processo de produção da cerâmica desde o início no torno, passando pela pintura até a secagem final da peça. Ele também revisita suas memórias de infância, em São José, e fala de sua dedicação diária pela arte manual, que transforma o barro em peças utilitárias. É durante o trabalho na Olaria que leva seu nome – uma das únicas que ainda produzem em larga escala em Florianópolis e região – que panelas, vasos, cumbucas e saladeiras são criadas artesanalmente e comercializadas para bares, hotéis e restaurantes, contribuindo para o resgate da identidade cultural da cidade.
ESPAÇO FERNANDO BECK
MEMÓRIA DO ESPAÇO FERNANDO BECK | em processo
05 DE FEVEREIRO DE 1991 A 2005
O projeto resgata a história do Espaço Fernando Beck, essencial à memória das Artes em Florianópolis. Em 05 de fevereiro de 1991, a Diretoria e os funcionários da Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina S.A. – BADESC inauguraram com a Exposição Coletiva de Verão, um Espaço Cultural no hall da sua sede, então instalada na Avenida Mauro Ramos. A mostra contou com as obras de Eli Heil, Hassis, Meyer Filho, Pléticos Rodrigo de Haro, Semy Braga, Suely Beduschi e Vera Sabino. Nascia assim, um espaço expositivo que durante décadas fomentou o circuito das Artes.
Em 12 de março de 1991, com o lançamento do livro do artista Rodrigo de Haro, foi descerrada a placa de batismo do espaço, com o nome Fernando Beck. O nome foi uma homenagem a um colega que havia falecido há pouco tempo. Fernando Beck não era artista, mas seu nome acabou se tornando referência para as Artes Visuais no Estado.
O Espaço foi conduzido de 1991 a 2005 por Neusa Barbi, bibliotecária do BADESC; acompanhou a mudança de sede da Agência para o casarão eclético da Rua Almirante Alvin, em novembro de 2001 e se tornou referência, principalmente pela edição anual de um edital respeitado e concorrido. Em 2005, por proposta de seus funcionários, a Diretoria do BADESC, que tinha como presidente Renato Vianna, criou a Fundação Cultural BADESC, que passou a abrigar o Espaço Cultural Fernando Beck. O ato teve a aprovação do Governador do Estado Luiz Henrique da Silveira, através da Lei nº 13.438. Assim, em 28 de março de 2006, a Cidade e o Estado receberam esse importante equipamento cultural, desde então instalado no conhecido casarão histórico, tombado pelo patrimônio municipal, que foi residência da família do Presidente Nereu Ramos.
Os registros abaixo foram resgatados e organizados por Bianca Justiniano, Carolina Ramos, Eneléo Alcides, Franchêscolli Gohlke e Helena Zanin. Esta é uma página que ficará em permanente construção, visando ampliar ao máximo o registro histórico do Espaço Cultural Fernando Beck.
INAUGURAÇÃO DO ESPAÇO
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
TOPOGRAFIA DA ALMA, de Radji Schucman
TOPOGRAFIA DA ALMA
RADJI SCHUCMAN
ESPAÇO 2 | DE 12 DE MARÇO A 17 DE ABRIL DE 2015
Conjunto de quase 100 fotografias feitas com telefone celular, que reúne momentos registrados entre 2012 e 2013, no Brasil, na Europa, no Marrocos e na Turquia. Os registros atraem pela realidade cotidiana e a solidão, tanto humana quanto urbana. Radji Schucman nasceu na Índia e mora em Florianópolis.
APRESENTAÇÃO
Exposição Topografia da alma, de Radji Schucman.
Com apenas um celular Radji percorre Topos planetário identificandocom o seu aguçado olhar realidades e realidades da alma humana.
Unas.
Não importa o local, a unidade do fenômeno humano é a mesma.
A pequena lente já não é o aparelhinho, mas a sua janela ótica como uma extensão de corpo que descortina a magia do flagrante de existências ampliadas pelo significado.
Sem qualquer recurso, de forma espontânea e verdadeira, seleciona adequadamente as relações das forças gráficas (luzes, sombras, linhas, cores, volumes, vazios), equilibrando-as a favor da máxima expressão desejada.
Seu conteúdo predileto rapidamente cativa o espectador.
A SOLIDÃO humana e urbana.
Rasgos de fina ironia crítica perpassa boa parte do conjunto das fotografias.
Uma ironia delicada e elegante que apenas é uma pelica da luva que aponta e critica.
Nisto a foto ganha em intensidade poética indiscutível.
A plasticidade que resulta de cada obra é notável.
Em algumas beira a forma minimal.
Fundos lineares ou presença em linhas provocam vórtices emocionais.
O flagrante já não paralisa, suspende existências além do simples existir.
A SOLIDÃO é reforçada pela presença de algum objeto relacional ao qual deflagra sutis entendimentos suspensos entre a objetividade do revelado e a subjetividade do apreciador.
Seja um cigarro, seja uma moto, seja um audífono, seja uma vitrine, seja outro/s indivíduo/s, ou mesmo os objetos em relações mais poéticas,
são âncoras do seu olhar que aponta o ancorar-se dos SOLITÁRIOS.
O indivíduo fotografado é seu ponto de vista que parte do ponto de vista de sua própria alma.
Todo o conjunto da sua obra reforça a fotografia como linguagem artística.
Não é mero registro. É uma possibilidade de provocar pensamentos e Sensações que nossa memória coletiva permite e necessita.
Necessidade de COM/TEMPL/AR!
Doraci Girrulat
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;’. CAOS NA MARGEM ^´’,., de Fê Luz e Lela Martorano
;’. CAOS NA MARGEM ^´’,.
FÊ LUZ E LELA MARTORANO
ESPAÇO 2 | DE 23 DE ABRIL A 22 DE MAIO DE 2015
Videoinstalações e paisagem sonora criadas a partir de pesquisas realizadas no campo da fotografia, do vídeo e da poesia. Propõe uma imersão, incitando a permanência e contemplação das obras na exposição. Para as artistas, “toda margem é sempre impregnada de caos”, onde se fundem as imagens, a linguagem, os sons e as lembranças. . ’. caos na margem ^´’,., transforma o espaço sensório e sugere ao público estados indefinidos entre o real, o vertiginoso e a ficção.As artistas trabalham a sobreposição e o efêmero de modos distintos, porém convergentes. Lela Martorano desenvolve um trabalho em que a fotografia e a projeção desempenham um papel fundamental. Fê Luz investiga a palavra falada e escrita desde a captura de sons do cotidiano até a experimentação musical. Lela Martorano é doutora em Linguagens e Poéticas na Arte Contemporânea, pela Universidade de Granada (Espanha). Fê Luz é Bacharel em Artes Plásticas pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e autora de quatro livros.
APRESENTAÇÃO
; ’. caos na margem ^´ ’, . , de Fê Luz e Lela Martorano.
;,., ~^}]]]|(toda margem é sempre impregnada de caos. ,~.;00””,8956,çln=+m;;;,2>>esta linha inexistente, .´;,.-=””>>>; >>.. que separa um lado de outro,,/,,
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que está em viagem, em percurso. >>>
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Fê Luz e Lela Martorano
“Em todo encontro há margem. Em toda margem há caos. Em todo caso, a turbulência só é visível na pequena escala. Mas não se cala. É justamente aí que a multiplicidade é viva e pulula. Pula. Salta o inesperado à vista. Mais verdadeiro que o determinado, o não-linear na arte transporta o nonsense. Notável maior/mente na potencia da soma/nao/nula (Fe) Le (Luz) La. Acentuam-se os espaços intervalares dos sentidos que se caminham na in/stal/ção em per/curso e em seus sons “colados” como novas im/agens e per/cep/ções. Reforça-se o significado de espaço/tempo: a interdependência dos relativos absolutos. Tal como os acentos das palavras se deslocam para outras ações recriando encontros imagéticos (sinais de pontu/ação e outras imagens), a palavra perde sua margem (seus adereços fonéticos). Tal como a imagem e os fonemas perdem sua palavra possível, no lavrar mesmo as crudezas em origens e sustos, em novos reencontros. As somas decorrentes criam espaços/tempos intermediários que cruel/mente desafiam a razão no interstício da in/ov/ação de uma arte conceitual surreal.”
Doraci Girrulat
; ’. caos na margem ^´ ’, . , de Fê Luz e Lela Martorano. Fonte Fê Luz e Lela Martorano.
Ouça a paisagem sonora da exposição aqui
Vídeo e paisagem sonora disponibilizados pelas artistas Fê Luz e Lela Martorano
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PARAGENS, de Manuela CostaLima
PARAGENS
MANUELA COSTALIMA
ESPAÇO 2 | DE 02 DE JULHO A 31 DE JULHO DE 2015
A artista paulistana tem no caminhar o ponto de partida de grande parte de seus trabalhos. E foi no caminhar pela orla de Florianópolis que ela coletou pedras que formaram o conjunto de Paragens. As pedras foram gravadas com as coordenadas dos lugares de onde foram tiradas. Junto às pedras dispostas no chão foi instalado o Geopantone, uma escala de cores obtidas por imagens do Google Street View. Nesse caminho virtual pelo computador o olhar se concentra na linha do horizonte, lugar de repouso, paragem do olhar. A partir de aproximações máximas dessas imagens obtêm-se os planos de cor que compõe a sequência. Manuela CostaLima artista visual formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, onde vive e trabalha.
APRESENTAÇÃO
Exposição Paragens, de Manuela CostaLima.
Exposição Paragens, de Manuela CostaLima.
Para alguns artistas, a criação acontece durante percursos em paisagens distantes, cidades ou mesmo em suas próprias casas. É na cidade e a partir dela, que Manuela CostaLima constrói ações, histórias, imagens. Suas intervenções revelam as características do espaço como um lugar de encontros e afetos, de símbolos e coletividade. O cotidiano é sua fonte e ao caminhar a artista reage a automatismos em uma busca por situações que marquem sua experiência e a façam manter um olhar estrangeiro. Seu corpo afeta o mundo e é por ele afetado. Em seus percursos a artista joga com as tensões sociais e culturais, ressignifica espaços e reforça a importância da poesia.
Paragens, título dado a esta exposição, remete à ideia de parada, ao ato de deter-se. Mas também traz outro significado: de locais do mar propícios à navegação. Em suas obras, a artista traça percursos pela orla de Florianópolis e os contrapõe à caminhadas virtuais no mesmo lugar pelo Google street view.
Em Geopantone II: Florianópolis – Florianópolis, ela completa uma volta pelailha a partir da tela do seu computador. No percurso, captura cenas, que são ampliadas na região da linha do horizonte até se tornarem planos únicos de cor. Já em Paragens, a artista coleta pedras encontradas durante suas caminhadas em torno da ilha. Nelas inscreve as coordenadas do local de onde foram tiradas e as transporta para o espaço expositivo.
Em conjunto, os trabalhos mapeiam os percursos e os pontos onde a artista se deteve por alguns instantes. Apresentam registros de encontros fortuitos, que tornam visível uma reconstrução afetiva da caminhada, mas o percurso em si permanece invisível. Registros que ressaltam pontos do ambiente que adquirem memória, distinguindo-se dos demais.
Isabella Lenzi
MEMÓRIA EM 4 TEMPOS APRESENTA PARAGENS
Este mini documentário, dirigido por Eneléo Alcides, integra o projeto Memória em 4 Tempos que registra pensamento, projetos e processos criativos de artistas selecionados para expor na Fundação Cultural Badesc.
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SOB O PREÇO DA CARNE, de Jenny Granado
SOB O PREÇO DA CARNE
JENNY GRANADO
ESPAÇO 2 | DE 06 DE AGOSTO A 11 DE SETEMBRO DE 2015
Selecionada na categoria Primeira Individual do Edital 2015 da Fundação Cultural Badesc, a proposta da artista acompanha o movimento dos seus projetos, que giram em torno das diversas manifestações políticas do corpo e reinterpretações de conceitos como pornografia, violência e gênero. Sob o preço da carne tece inflexões no que não está exposto, no que diz respeito ao outro/outra/outrem e como nos posicionamos como expectadores do nosso próprio dia a dia frente à descarga diária de informações provenientes principalmente dos meios de comunicação televisivos. Jenny nasceu em Uruana (GO), é formada em Artes Visuais pela Udesc, vive e trabalha na Cidade do México (México).
APRESENTAÇÃO
Exposição Sob o preço da carne, de Jenny Granado.
A “Zona de Ataque” e a “Zona de Defesa” são um decantado da vida presente: evento em que as esferas do universal e do particular foram separadas num corte, e colocadas uma diante da outra de forma superconcentrada [uma ferida mantida aberta].
A voltagem que emerge dessa diferença de potencial faísca em todas as direções, e um passo dado à esquerda ou à direita do X pode transformar agressor em vítima, acusador em réu. E em quem arrisca uma posição instável? Na qual as categorias determinadas pelo senso pervertido da justiça se arranham e entrechocam; como em um tabuleiro ou numa manifestação. Situações onde ambos os lados são oponentes, se atacam e se defendem num único lance.
Para desconfiar de toda posição, de qualquer imagem, ajuda ter em mente diversos aspectos discriminatórios do termo “Zona”. “Zonas” que vão desde das de prostituição espalhadas pelas cidades, às zonas leste, oeste, norte e sul com que são segmentadas pelas prefeituras; e mesmo o verbo “zonear” significando fazer bagunça, arruaça, sair do controle.
Se dermos um passo pra dentro cruzamos o batente: mas não antes de toparmos um sólido taco de madeira. Com extremidade abaulada e empunhadura… Priapo, deus romano da fertilidade, tinha estátuas à sua semelhança colocadas nos jardins, à entrada das casas, ameaçando os assaltantes com um gigantesco falo rígido; e pra não desagradar o deus, o mortal devia fazer um carinho no órgão enquanto passava.
Detrás destas zonas de segurança e insegurança estaria a violência sistêmica necessária à manutenção das sociedades de consumo. A transição vertiginosa do mais exterior [mundo dividido por infinitas zonas de conflito] para o mais interior [sala de estar pequeno burguesa] não é sem consequências. Ali também dois campos de força se contrapõe, esmagando as personagens apanhadas no movimento.
Bruno Braga
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VOLVER, de Odete Calderan
VOLVER
ODETE CALDERAN
CURADORIA DE CLAUDIA ZIMMER
ESPAÇO FERNANDO BECK | 09 DE ABRIL A 07 DE MAIO DE 2015
Vídeos, cerâmica, objetos e instalações abordam o ato e a prática de mexer ou revirar a terra e propõe diálogos e reflexões devido a singularidades dos lugares de coleta, implicando um olhar diferente sobre o cotidiano, fazendo o expectador pensar situações ou objetos em meio a deslocamentos. Odete Calderan é de Sananduva (RS), graduada em Desenho e Plástica pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), especialista em Design para Estamparia e mestre em Artes Visuais com ênfase em Arte Contemporânea, ambas pela UFSM. É professora no curso de Artes Visuais e Design de Produto da Unesc, em Criciúma (SC), onde reside.
APRESENTAÇÃO
Exposição Volver, de Odete Calderan.
No verbo que dá nome a esta exposição, encontra-se implícita a ação de ir, já que ele, em si, designa a volta. Nesse vai e vem, movimentos descontínuos, amalgamados, entrecortados e sobrepostos apresentam misturas que trazem à tona a troca. Mas esta não se dá apenas quando Odete manuseia determinada matéria, tampouco está unicamente nos trabalhos colaborativos que desenvolve. Trata-se, também, de observar a importância das relações estabelecidas no interior de um processo artístico em constante refazer. A partir de um jogo pendular – que tensiona pares como peso e leveza, firme e frágil, forma e disforme – a produção aqui apresentada evidencia, com vigor, constantes gestos de escavar, perfurar, amoldar e preencher, nascentes da inquietude de um fazer sempre às voltas com a terra.
Claudia Zimmer | Curadora
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AUTORRETRATO, de Lilian Barbon
AUTORRETRATO
LILIAN BARBON
ESPAÇO 2 | DE 28 DE MAIO A 26 DE JUNHO DE 2015
Partindo de pesquisa práticas e teóricas sobre a autorrepresentação fotográfica, a artista busca refletir sobre sua própria imagem, utilizando a fotografia como suporte e o seu corpo como elemento estético. Lilian Barbon é artista visual e fotógrafa. Mestre e bacharel em Artes Visuais pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e especialista em Fotografia pela Universidade Estadual de Londrina (PR).
APRESENTAÇÃO
Exposição Autorretrato, de Lilian Barbon.
Desmistificar a relação da fotografia com o real. Criar novos mundos, novos corpos, novas situações. Atravessar todo o ato fotográfico com meu corpo e meus sentidos, na tentativa de elucidar meu lugar no mundo. Mundo este cada vez mais de aparências e incertezas.
Nesta reflexão sobre minha própria imagem, utilizo a fotografia como suporte e o meu corpo como elemento estético, criando séries de autorretratos onde a fotografia aparece como uma espécie de espelho manuseável, no qual é possível criar e recriar meu próprio corpo, deformando-o, multiplicando-o, fragmentando-o.
Através de idas e vindas pela câmera escura, onde o ato fotográfico encontra-se estirado, alongado, sou ao mesmo tempo fotógrafa e fotografada. Torno-me criadora e criatura de minhas imagens e também, deformadora de meu próprio Self.
Lilian Barbon
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DISABILITY, de Adriana Maria dos Santos
DISABILITY
ADRIANA MARIA DOS SANTOS
ESPAÇO 2 | DE 05 DE FEVEREIRO A 06 DE MARÇO DE 2015
Buscando relacionar os estados do corpo, o trabalho da artista se constitui sobre a deficiência e tensão entre os meios externos e internos, relacionando as mutilações com os estados da alma e trabalhando com a impotência do corpo em ser completo, ou seja, aceitar a fragmentação como potência. Disability, cujo título deu nome à proposta de doutorado de Adriana, além de repensar a ação do corpo e a dissolução dos sentimentos, apresenta figuras da iconografia pop que retratam de forma diferenciada a leitura do corpo transgressor. A artista nasceu em Rio do Sul (SC) e tem doutorado em teatro pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Mora em Florianópolis, é artista plástica e professora do Centro de Artes da Udesc.
APRESENTAÇÃO
Exposição Disability, de Adriana Maria dos Santos.
O percurso da proposta intitulada Disability e do que este conjunto de trabalhos trata, inicia nas relações do corpo com o estado de fragilidade e tensão em que a mutilação externa [membros faltantes] e interna [estados da alma] sugere para o uso de próteses aos quais são apresentados como via de reflexão do que intitulo corpo transgressor.
Desde a finalização de tese doutoral cujo título dá o nome a esta proposta, Disability ou Samuel Beckett e a pintura, o corpo vem sendo repensado em meu trabalho como meio de dissolução de sentimentos e humores traduzidos pela ação de vomitar ou expelir através da boca, linhas e manchas que remetem a sentimentos afetivos mal digeridos ou que já não possuem condição de serem controlados.
A imagem do punk ou de figuras da iconografia pop são escolhas cuja estética interessa como parte da leitura do corpo transgressor, assim como já foram considerados em propostas anteriores, os deficientes físicos e mentais. Há uma atração forte nesse apelo estético que objetiva a ênfase na negação de mecanismos de controle, assim como na potência do ato impuro no âmbito social do vomitar, este traduzido como emblema de uma impotência do corpo em digerir, isto é, aceitar.
A asa surge como elemento de uma ficção, trata-se de pensa-la como prótese, recurso do imaginário para supostamente propor uma saída, considerando que no corpo há a recusa, estas asas sugerem uma possibilidade de fuga, de cura e/ou de sublimação do fracasso como condição redentora.
Adriana Maria dos Santos



































































































































































































































































































































































































































































































































