Biografia de Sant-Exupéry é lançada na Fundação Badesc

Capa do livro Saint-Exupéry ou O Ensinamento do Deserto, de Jean Huguet. Tradução de Carmen Lúcia e Márcia Regina

 

Obra inédita no Brasil do francês Jean Huguet tem tradução local

 

Quinta-feira, 18 de dezembro, a partir das 19 horas, na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis, Carmem Lúcia Gerlach e Márcia Regina B Moraes lançam, pela Editora Insular, a tradução Saint-Exupéry ou O Ensinamento do Deserto, de Jean Huguet.

A autorização para traduzir, para o português, este ensaio filosófico — que percorre o deserto, o silêncio e Deus — veio da viúva Geneviève Huguet. Huguet e sua obra eram até hoje desconhecidos do público leitor de nosso país.

Um convite à introspecção é feito na leitura de Saint-Exupéry ou O Ensinamento do Deserto: “meditar e redescobrir seu mundo interior”.

Antoine de Saint-Exupéry escreveu obras como Voo Noturno, Terra dos Homens e O Pequeno Príncipe, que reúnem, por todo o mundo, leitores apaixonados. Em seu texto há aventura, sabedoria, sensibilidade, muito de tudo isso veio de sua vivência no deserto.

O escritor Jean Huguet nasceu em 1925 na comunidade de pescadores Chaume, em Sables d’Olonne, no litoral do Atlântico francês, e morreu em 2006 no mesmo local. Foi livreiro em Paris, e sua vasta obra compreende, entre tantas, Vendée (1981), com prêmio no Festival do Livro de Nice (França) e Paul-Émile Pajol, marinheiro-pescador e pintor (1989), com a admiração do cineasta e escritor Jean Cocteau (1889-1963).

Carmem Lúcia Gerlach é professora titular aposentada da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e tem doutorado e pós-doutorado em Língua e Literaturas Francesas pela Universidade de Mirail em Toulouse (França). A jornalista e revisora Márcia Regina B Moraes é formada pela UFSC, e tem bacharelado em Língua e Literaturas Inglesas e formação em francês (Nancy III) na Aliança Francesa de Florianópolis.

 

O quê: Lançamento da tradução do livro Saint-Exupéry ou O Ensinamento do Deserto, de Jean Huguet, feita por Carmem Lúcia Cruz Lima Gerlach e Márcia Regina Barreto Moraes. Quando: 18 de dezembro, quinta-feira, das 19 às 22 horas. Onde: Fundação Cultural Badesc. Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis. Telefone: 3224-8846. Quanto: gratuito.

Saint-Exupéry ou O Ensinamento do Deserto. Jean Huguet, tradução de Carmem Lúcia Cruz Lima Gerlach e Márcia Regina Barreto Moraes. Editora Insular. 2014. 101p. R$ 30,00 (R$ 20,00, preço especial para o dia do lançamento).

Guia Rápido de MObilidade Urbana lança 6ª edição na FCBadesc

Capa Guia Rápido de MObilidade Urbana. Editora Zapta.

 

Publicação traz dicas de transporte público e privado para se deslocar no verão

Consagrado por diversas instituições voltadas ao turismo, o Guia Rápido de MObilidade Urbana lança sua 6ª edição em 11 de dezembro, quinta-feira, às 19h, na Fundação Cultural Badesc.

Ferramenta de informações para turistas e moradores de Florianópolis, o Guia é desenvolvido a partir do banco de dados do portal MObfloripa e traz dicas de transporte público e privado para melhor deslocamento durante o verão na Ilha de Santa Catarina

Completo e prático, você encontra no Guia dicas de serviços de táxi, transporte aéreo, locação de automóveis, motos e bicicletas, e transporte público. Além disso, a edição traz referências sobre as principais atrações e passeios realizados na região da grande Florianópolis.

 

O quê: lançamento do livro Guia Rápido de Mobilidade Urbana. Quando: 11 de dezembro, às 19h. Onde: Fundação Cultural Badesc. Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis. Fone 3224-8846. Quanto: gratuito.

 

Guia Rápido de Mobilidade Urbana. Editora Zapta. 2014. Gratuito.

Sinergia lança 8º livro Conto e Poesia

Capa do livro Conto e poesia, vários autores

Será lançado no dia 23 de outubro o livro CONTO E POESIA, às 19h, na Fundação Cultural BADESC. A obra é resultado do 8º Concurso literário que é promovido pelo Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis e Região – Sinergia, em nível estadual, há mais de 20 anos com o objetivo de estimular a criação literária e promover o intercambio cultural.

O livro é composto por 30 poemas e 15 contos, selecionados por Rubens da Cunha, Silveira de Souza e Eleonora Frenkel (Comissão Contos) e por Marco Vasques, Regina Carvalho e  Carlos Damião (Comissão Poesia).

Essa última edição, contou com a inscrição de mais de 300 trabalhos, vindos de todas as regiões de Santa Catarina; cujos participantes tinham entre 15 e 80 anos.

Dos 2000 livros publicados, cerca de 1000 exemplares serão distribuídos gratuitamente para bibliotecas publicas do estado e outras entidades culturais do país.

FCBadesc lança O tocador de Sinos, de Luís Felipe Maldaner

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FCBadesc lança O tocador de sinos, de Luís Felipe Maldaner

Escritor usa sino de igreja como elemento de ligação entre capítulos da obra

 

A Fundação Cultural Badesc lança no dia 11 de setembro, quinta-feira, às 19h, o livro de contos O tocador de sinos, de Luís Felipe Maldaner.

Divido em três blocos: Solidão, Estranhamento e Paixão, a obra reúne 14 contos ambientados no interior gaúcho que possuem um elemento de ligação: o sino da igreja. Seja um personagem que o ouviu ou a própria figura do sineiro, a figura está presente durante todo o livro.

Maldaner incluiu ainda um conto que leva o nome da obra e está presente no primeiro bloco. Escrito há 25 anos e reescrito diversas vezes, trata-se da história de Wunibaldo, um homem aleijado que mora de favor no salão paroquial da igreja e pontualmente toca o sino nos horários estabelecidos. Esse personagem, humilde e solitário, faz uma referência ao monstro bondoso O Corcunda de Notre Dame, de Vitor Hugo.

Natural de Cerro Largo (RS), Maldaner é diretor de participações do Badesul. Doutor em estudos latino americanos pela Hankuk University of Foreign Studies, da Coréia do Sul, é professor no mestrado de gestão em negócios da Unisinos. Esta é sua quinta obra, terceira no gênero contos.

 

 

O quê: lançamento do livro O tocador de sinos, de Luís Felipe Maldaner. Quando: 11 de setembro, quinta-feira, às 19h. Onde: Fundação Cultural Badesc. Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis, fone 3224-8846. Quanto: gratuito.

O tocador de sinos, de Luís Felipe Maldaner, Editora Bestiário, 2014, 98 páginas, R$ 25,00

Lançamento do livro Victor Meirelles – Biografia e legado artístico, de Teresinha Sueli Franz

Victor Meirelles, de Teresinha Sueli Frantz, capa do livro

Livro desmistifica infância pobre de Victor Meirelles

Publicação será lançada dia 4 de setembro, quinta-feira, na Fundação Badesc

Com correções, novas informações e desmistificando sua infância pobre na então Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, o livro Victor Meirelles – Biografia e legado artístico, de Teresinha Sueli Franz, será lançado no dia 4 de setembro, quinta-feira, às 19 horas, na Fundação Cultural Badesc.

Logo na folha de rosto da publicação, Teresinha apresenta como sendo de Victor Meirelles a imagem de um jovem, provavelmente aos 15 anos, em retrato doado pelo artista Aldo Beck ao Museu Victor Meirelles, em Florianópolis.  Bem vestido, de casaca e laço caprichado, o rapaz destoa da imagem de menino pobre, uma informação reproduzida como senso comum em suas três biografias anteriores.

A partir de suas pesquisas, Teresinha está convicta de que esta imagem é mesmo do pintor. E argumenta que ele não era pobre. Ao contrário, tinha uma origem de posses.  A família de Victor era de negociantes. O pai do pintor foi vice cônsul de Portugal em Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis. Possuía entre outros bens imóveis um terreno perto do porto Rita Maria, que poderia evidenciar um local de embarque naval de seu comércio.

Além do sobrado, de propriedade do pai onde o artista nasceu, que hoje abriga o Museu Victor Meirelles, a família também era proprietária do casarão que vemos à esquerda na pintura catalogada como Rua João Pintoantiga Rua Augusta, do acervo do Museu Nacional de Belas Artes. A cena representa o início da atual rua João Pinto no centro de Florianópolis onde hoje é o prédio do banco Santander.

Teresinha diz que o pintor retratou justamente este casarão porque era de propriedade da família. A pintura foi feita em 1851, numa de suas visitas a Desterro. Na época, Victor tinha 19 anos e estudava na Academia Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. A descoberta da propriedade do sobrado foi realizada por Teresinha em pesquisa de jornal de época, quando o proprietário, Antônio Meirelles, pai de Victor, anunciava a venda de uma escrava.

A autora de Victor Meirelles – Biografia e legado artístico também aponta para uma correção de informações. A grande paixão de Victor, Flávia Minervina, morreu em 1880 e não em 1885, conforme pode ser confirmado na certidão de óbito, publicada no livro, e obtida por Terezinha no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia, no Rio de Janeiro.

Tudo indica também, diz Terezinha, que num estudo de Victor, denominado Cabeça de Mulher, sem data, a imagem da moça seria de Minervina antes de adoecer. Noutra pintura, titulada de Cabeça de homem, de 1856, o personagem seria Virgílio Meirelles de Lima, irmão de Victor. Outra imagem é apontada pela autora como um possível retrato de Maria da Conceição, mãe do artista.

Este é o terceiro livro da autora em torno do pintor. Publicou Educação para compreensão da arte – Museu Victor Meirelles em 2001 e Educação para compreensão crítica da arte (2013). Esta segunda publicação é resultado de tese de doutorado com eixo norteador a partir de Primeira Missa no Brasil, pintura emblemática de Victor. Teresinha foi professora do Centro de Artes da Udesc.

BIOGRAFIA

Victor Meirelles de Lima nasceu em Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, em 18 de agosto de 1832, filho do imigrante português Antônio Meirelles de Lima e da brasileira Maria da Conceição.

Pintor, desenhista e professor, começou sua trajetória precocemente, realizando paisagens da cidade. Frequentou a Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro e aos vinte anos, conquistou o Prêmio Especial de Viagem à Europa. De 1853 a 1861, viveu primeiro na Itália e em seguida na França, onde se dedicou ao estudo e ao trabalho. Foi professor honorário da Academia Imperial de Belas Artes, onde ensinou pintura histórica e professor do Liceu de Artes e Ofícios, no Rio de Janeiro.

Autor de quadros históricos, retratos, panoramas e da mais popular das telas brasileiras, “Primeira Missa no Brasil”, exposta no Salão de Paris em 1861 (obra pertencente ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes/IBRAM/MinC), Victor Meirelles deixou um extraordinário acervo, minuciosos esboços, estudos em papel e óleos sobre tela. O artista faleceu no Rio de Janeiro em 22 de fevereiro de 1903.

Fonte biográfica: Museu Victor Meirelles

O quê: lançamento de Victor Meirelles – Biografia e legado artístico, de Teresinha Sueli Franz. Quando: 4 de setembro, quinta-feira, às 19h. Onde: Fundação Cultural Badesc. Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis, fone 3224 8846. Quanto: gratuito.

Victor Meirelles – Biografia e legado artístico, de Teresinha Sueli Franz, Editora Caminho de Dentro, 2014, 304 páginas, R$ 59,00 (R$ 40,00, preço especial para o dia do lançamento)

Lançamento de Antes que chegue o outono, de Paulo Sá Brito

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Narrativa é baseada na vida de Glenio Sá Brito, pai do autor do livro

A Fundação Cultural Badesc lança dia 14 de agosto, quinta-feira, às 19 horas, o romance biográfico Antes que chegue o outono, de Paulo Sá Brito.

Baseado na vida de Glenio Sá Brito, pai do autor, a publicação retrata de forma ficcional a história do personagem. Embora aborde uma dramaturgia de ordem familiar, o livro extrapola este universo.

De espírito independente e avesso à sociedade de consumo, Glenio publicou, em 1964, o livro O evangelho do homem, que está completando exatos 50 anos de sua edição. É um livro com seus pensamentos e indagações existenciais. Nascido em Montenegro, no Rio Grande do Sul, viveu a maior parte da sua vida em Curitiba.

“O texto nos conduz a um imaginário fértil de filho amoroso, de criador arguto, que decifra a vivência do pai, narra a sua história e resgata o seu pensamento”, escreve Hamilton Faria na apresentação de Antes que chegue o outono.

Paulo Sá Brito nasceu em Curitiba, mas reside em Florianópolis desde 1980. Publicou os livros Altina (1994), biografia de sua centenária avó materna, e Como quem risca a pedra (2004), romance sobre a juventude na época da ditadura.

Em coautoria com Luiz Cézare Vieira, publicou outros dois livros: Rádio Peão (2005) e Entre o passado e o futuro (2008), ambos relacionados à história da Celesc. Também foi selecionado em cinco coletâneas Conto e Poesia, com edição do Sinergia.

 

O quê: lançamento do romance biográfico Antes que chegue o outono, de Paulo Sá Brito. Quando: 14 de agosto, quinta-feira, às 19h. Onde: Fundação Cultural Badesc. Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis, fone 3224-8846. Quanto: gratuito.

Antes que chegue o outono, de Paulo de Albuquerque Sá Brito, editora Quorum Comunicação, 128 páginas, distribuição gratuita.

Lançamento do livro Margem, de Graciela Kruscinski

Graciela Kruscinski lança Margem, na Fundação Badesc

Livro de estreia da escritora faz uma imersão pelo romance de autoficção

A escritora Graciela Kruscinski lança Margem, seu livro de estreia, em 5 de junho, quinta-feira, às 19 horas, na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis. Escrito a partir de um autorretrato realizado com a técnica de dupla exposição na sala escura do laboratório fotográfico, Margem brinca com o romance de autoficção.  A publicação recebeu o Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura 2013.

A escrita de Graciela é embalada por uma cartografia afetiva, estabelecida pelo encontro espaço-temporal entre a casa onde nasceu, em Rio do Sul, o asfalto e o rio, que delimitam sua prosa. Na região, o que era a rota dos tropeiros foi transformada em rodovia federal, negligenciada e identificada pelo constante número de acidentes, e próxima ao rio Itajaí-Açu com suas populações marginais e a falta de política para seu desenvolvimento.

“A busca pela ficção do meu retrato que se transfigura em enleio de rio começa na junção de texto e imagem e numa vontade constante de não delimitar fronteiras para o ficcional. A tentativa de um movimento entre texto e imagem num espelho que me devolvesse sempre o que já foi e também o que já não é”, reflete a autora.

A apresentação do livro é feita pelo crítico e professor de literatura Antônio Carlos Santos. Para ele, Graciela “tem a veia da narrativa, de alguém que sabe contar uma história e que sabe jogar com os caminhos da ficção, montando uma vida com pedaços de outras vidas, com as imagens que vão nos inserindo em uma atmosfera muito singular”.

O livro Margem estará à venda por R$ 25,00 no lançamento.

O quê: lançamento do livro Margem, de Graciela Kruscinski. Quando: 5 de junho, quinta-feira, às 19h. Onde: Fundação Cultural Badesc. Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis. Quanto: entrada gratuita.

Mais informações: www.projetomargem.com

Lançamento do livro Anatomia da Pedra & Tsunamis

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Poeta Marco Vasques completa a sua Trilogia das Ruínas com o lançamento do livro Anatomia da Pedra & Tsunamis

 Anatomia da Pedra & Tsunamis é o novo livro de poemas de Marco Vasques.  A obra, que será lançada no dia 15 de maio, às 19h, na Fundação Cultural Badesc, e completa a chamada Trilogia das Ruínas. O primeiro livro, Elegias Urbanas, foi publicado em 2005 pela editora carioca Bem-te-vi; o segundo, Flauta sem Boca, foi publicado em 2010 pela editora catarinense Letras Contemporânea. Anatomia da Pedra & Tsunamis mantém o tom elegíaco das obras anteriores e vem todo ilustrado com desenhos da jovem artista joinvilense, Carol Silva.

Para Valdir Rocha no livro Anatomia da Pedra & Tsunamis:  “Marco Vasques planta silêncios, regando com lágrimas petrificadas versos e prosa poética. Anatomia da Pedra & Tsunamis, olhado em um primeiro momento parece ser livro de poucas palavras. Mas é para ser lido e, quando isso se dá, constata-se que diz o necessário, estritamente. O poeta cortou na própria carne, sua e de cada poema, todo excesso. Para que jogar palavras ao vento, quando o morto / a morte só pede um gesto de contemplação? A anatomia que se empreende conduz a estudo dilacerado do corpo morto, sem dissecação física, e de “vivos devastados”; estes com todos os cortes – sem suturas – inevitáveis. Proponho que Anatomia seja lido como se cada um estivesse a elaborar uma cena de cinema. O livro crescerá diante de olhos diretores.”

No lançamento, os 100 primeiros livros serão gratuitos. Após a distribuição dos 100 primeiros a obra custará R$10,00.

 

SOBRE O LIVRO 

Anatomia da Pedra & Tsunamis:
a necessária força da poesia

Por Rubens da Cunha

Como se posicionar diante da Anatomia da Pedra & Tsunamis, este canto compacto, sólido, que se estende por 30 poemas que nasceram a partir da reverberação de uma tragédia: o terremoto que ocorreu no Haiti em 2010? Anatomia da Pedra & Tsunamis é a última parte uma trilogia, cujos livros precedentes são Elegias Urbanas, (2005, Editora Bem-te-vi) e Flauta sem Boca, (2010, Letras Contemporâneas). Os três livros se conectam e dialogam sobre e a partir da luta do poeta contra o estado de pedra, de aço e de metal em que a vida humana se encerrou. Assim, o leitor deve se posicionar mais como um parceiro nessa luta do que como espectador. E se trata de um posicionamento sem esperar vitória, sem esperar resgate ou redenção e, sobretudo, parodiando a oitava regra do filme Clube da Luta, se for a sua primeira vez nesse livro, o leitor tem que lutar. O livro Anatomia da Pedra & Tsunamis, bem como toda a poesia de Marco Vasques, não permite que o leitor se exima ou se abstenha da luta e de enfrentar a força dos poemas talhados na surpresa e no caos.

A luta traçada e vivida por Vasques vem desde Elegias Urbanas, que é um livro breve com 25 poemas, ou 25 elegias, sem títulos e que trazem reflexos de um homem perdido dentro da urbanidade, recheado de melancolia, de um desespero contumaz diante da percepção de que não há um lugar individual, solitário, idealizado, mas apenas o lugar dentro da cidade, dentro do trânsito, do caos, dentro de uma humanidade morta, vítima que é da indiferença. O homem exposto nesses primeiros poemas é uma criatura urbana que recicla o caos, que se dilacera diante da barbárie, às vezes andeja pelas ruas, às vezes se esconde dentro de casa ou dentro de si mesmo, mas sempre está vivendo em busca de um sentido.

No livro seguinte, Flauta sem Boca, o poeta andante se recolhe, centra-se sobre sua subjetividade, ruína-se por dentro numa tentativa de se igualar ao mundo. Pautado pelas notas musicais, os poemas alongam-se numa orquestração entre a catástrofe e o silêncio. Não são elegias, são gritos assombrando-se com uma música tensa. A luta nessa flauta sem boca é outra, talvez mais contundente porque solitária demais, porque lúcida demais em seu vício de lutar contra o mundo concreto ao mesmo tempo que se vê assimilado por ele. Nesta assimilação a pele, a palavra, a alma se fazem perda, porém, a certa altura, o poeta musica-se entre a derrota e a esperança: “braços e pernas de concreto / se fundem ao meu corpo / eu não sou mais eu / sou aquela pedra / que dorme / em forma de corpo / mas que ainda sonha / e se solidifica / até a ternura morder-se.” Assim, Flauta sem boca respira alguma vontade de transformação, de modificação de que a vida não é esse insulto à sensibilidade que se estabelece dia a dia como uma verdade ditatorial.

Por fim, em Anatomia da Pedra & Tsunamis, o poeta lutador sai de sua própria luta e aceita-se tatame para uma tragédia, impondo ao leitor que também saia de seu posto de parceiro de luta e se irmane no chão em ruínas. No mundo dos acidentes naturais, um dos mais imprevisíveis é o terremoto. É uma ameaça subterrânea, um fantasma que assoma no repente. O sismo prova a instabilidade a que o humano está submetido. A alta tecnologia pode detectar alguns indícios prévios do acontecimento; a engenharia pode construir edificações mais resistentes, mas uma vez que o fantasma acorde, nada pode ser feito, a não ser se desesperar e esperar que aquilo tudo passe. Depois, sobre a terra, restam apenas escombros. Em 2010, esse fantasma surgiu no Haiti: um dos lugares mais pobres do planeta. Nem foi um dos terremotos mais fortes, mas bastou para assolar o país. O trágico que já pulsava em toda injustiça, desigualdade, miséria que admoestava o Haiti,  aumentou ainda mais com este sismo, que geograficamente ocorreu há 10 km de profundidade e teve como epicentro a Península de Tiburon e, poeticamente, também ocorreu no corpo sensível de Marco Vasques. Depois que soube da notícia, o poeta, feito um guardador de rebanhos, sentou-se e pulsou seus breves e graves terremotos, espalhou essas ruínas sobre as páginas. O poeta terremotou-se também. Não estava lá, nunca passou por um terremoto real, mas como nos livros anteriores, ele é todo empatia com o sofrimento, com o destino incauto e inseguro do humano. A empatia é esse sentir dentro, esse  Einfühlung em que a pessoa tem que perder a sua identidade no outro. O filósofo Theodor Lipps caracterizava a empatia como um processo de imitação interna e involuntária, no qual a pessoa se identifica através do sentimento com o movimento de outro corpo. Por sua vez,  Edith Stein alarga tal conceito e diz que a empatia é uma forma cega de conhecer que é capaz de alcançar a experiência do outro, sem ter que passar por essa experiência. Ora, essa forma cega de conhecer é que Marco Vasques expõe em seus poemas. Os 20 primeiros reverberam o próprio terremoto. Depois, 10 poemas em prosa, intitulados Tsunamis trazem a força das ondas que não raro acontecem após o terremoto. Tanto na primeira parte, quanto na segunda, trata-se de um pressuposto ético que se estabelece em diálogo com a ruína alheia, como se fosse a própria ruína, o própria carne recoberta nas cinzuras do terremoto: “abraços me alcançam / deste  / cemitério de cinza / mastigo / o jardim de desespero / sem laquê”. O poeta prostra-se todo prenhe de tragédia e escreve em fragmentos, em versos quebrados, em densas pedaços de concreto, pois o que tem, agora que não luta, que não atinge o mundo gritado e gritante que sempre enfrentou, é somente o “verso / servo da mudez”, somente possui “pedras e sentidos / no som sem sumo”. O terremoto de Vasques é uma anatomia fotográfica explícita e cruel. O poeta testemunha nos versos iniciais: “mesa posta / mortos beijam / o café matutino / beijo todo os olhos / desses corpos soterrados / que azulejam o cimento / à procura de um céu”. Nessa dupla sequência de beijos, o que segue é a visão nada estanque de alguém que não presenciou o terremoto fisicamente e, por isso, está livre para ser outro tipo de testemunha: aquela que pode transcrever a tragédia pelo poético. Não corresponde à verdade, dirão os órfãos do Realismo, porém corresponde à outra verdade: a verdade empática e enfática daquele que não se imuniza e nem sai imune das coisas. No tsunami final pode-se ler essa verdade: “e nenhuma flor ou círio faz sentido silêncio silêncio tsunami é a alma. afogados leem meu corpo e não posso agarrar o sonho nas duas mãos. silêncio silêncio duas almas abrem a garganta da noite e enterram dois corações de meninas na última brancura que me resta.”

Se o poeta já lutou em suas elegias urbanas, já tocou uma música impossível em flauta sem boca, agora ele testemunha a anatomia da pedra e os tsunamis na alquebrada catástrofe daqueles escombros ilhados e distantes, mas que também o atingiram. Assim como os leitores de Marco Vasques, parceiros na luta, também serão atingidos e transformados pelo sismo poético que se depreende dessas páginas de Anatomia da Pedra & Tsunamis.

 

O AUTOR

Marco Vasques é poeta, contista, crítico de teatro e de literatura. Bacharel e licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina.  É mestrando em Teatro/UDESC. Tem publicado os livros Cão no Claustro (Poemas, 2002, Letradágua, SC),Elegias Urbanas (Poemas, 2005, Bem-te-vi, RJ), Diálogos com a literatura brasileira – volume I (entrevistas, 2004, EdUFSC/Movimento, SC/RS), Diálogos com a literatura brasileira – volume II (entrevistas, 2007, EdUFSC/Movimento, SC/RS), Diálogos com a literatura brasileira – volume III (entrevistas, 2010, Letradágua, SC), Flauta sem Boca (poemas, 2010, Letras Contemporâneas, SC) e Harmonias do Inferno (contos, 2010, letradágua, SC). É colaborador das revistas Zunái (SP), Sibila (SP), Coyote (PR) e Agulha (CE). É cronista semanal e crítico teatral do jornal Notícias do Dia. Já foi colaborador dos jornais A NotíciaDiário Catarinense, Rascunho entre outros. Tem contos e poemas publicados nas revistas AgulhaBabelCoyote, BlauCult. Foi diretor de cultural da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes, onde criou o projeto Terça com Poesia ao lado do poeta Rodrigo de Haro. Fio Presidente da Comissão Permanente de Cultura de Florianópolis. Fundador do jornal literário Capitu Traiu!, em Joinville em 1997.  Como diretor teatral montou Valsa n.6 de Nélson Rodrigues, Vírgula da Vida ou Monólogo Coletivo texto de Marco Vasques e Quatro Traço de Vidas espetáculo baseado nas obras poéticas de Mario Quintana, Drummond, Manoel Bandeira e Cecília Meireles. Foi membro do Conselho Estadual de Cultura de Santa Catarina e exerce o cargo de Consultor de Projetos Especiais na Fundação Catarinense de Cultura. É editor da Revista Osíris Literatura e Arte, ao lado do poeta Rubens da Cunha. É, também, editor-chefe do Suplemento Cultural de Santa Catarina [ô catarina].

 

O quê: Lançamento do livro Anatomia da Pedra & Tsunamis
Quando: Dia 15 de maio, quinta-feira, às 19 horas.
Onde: Fundação Cultural Badesc. Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis.
Quanto: gratuito.

Lançamento da reedição de Riverão Sussuarana

 

A Editora da UFSC em parceria com Itaú Cultural relança o romance Riverão Sussuarana, de Glauber Rocha (1939-1981). Na mesma noite haverá a divulgação do resultado do Concurso Rogério Sganzerla de Roteiros (Cinema e Dramaturgia), promovido pela Secretaria de Cultura e Arte e Editora da UFSC.

Riverão Sussuarana será publicado com duas capas sobrepostas, a fim de atender ao desejo da família, que fez questão de manter a imagem original. O texto do livro, um dos mais inventivos e controversos da literatura brasileira pós-moderna, reinventa a língua portuguesa, criando novos vocabulários e nova sintaxe.