Fundação Cultural Badesc apresenta 4ª edição de Desenho de Monstro

Exposição reunirá obras de dezenas de artistas catarinenses

 

De 10 a 18 de setembro, os jardins da Fundação Cultural Badesc serão invadidos pelas criaturas da 4ª edição de Desenho de Monstro. A proposta ousada reunirá vários artistas que terão o desafio de realizar suas obras em um espaço urbano sujeito as intempéries, explica a autora do projeto, a artista plástica Adriana Maria dos Santos.

“A relação que cada um fará com o monstruoso perpassa a condição temporal, o caráter perecível e a fragilidade do que é trazido à tona fora do ambiente fechado do atelier e da galeria. A ideia parte da necessidade de pensar o monstro no projeto individual de cada artista, submetendo o olhar do público que transita pela rua ou que, de passagem para o interior da casa, ao imaginário singular comprometido com o estranho que a abordagem deste ícone simbólico remete”, diz Adriana.

Nesta edição além de Adriana estarão presentes os artistas Clara Fernandes, Ricardo Ramos, Djuly Gava, Bruno Bachmann, Claudia Cárdenas e Rafael Schlichting, Adson Loth, Pablo Rodriguez Vence, Pama Krowczuk, Estevão Mattos, Yasminka Guimarães, Felipe Vernizze, Airton Perrone, Fabrício Manohead, Jonathan Belusso, Marta Martins, Lara Montechio, Yuri Bastos e Kelly Kreis Taglieber.

“Este projeto envolve artistas cuja direção do trabalho pessoal nem sempre têm o monstruoso como foco conceitual ou poético, as linguagens são variadas não tendo limitação neste aspecto. A curadoria é feita apenas como escolha dos participantes. A organização é colaborativa envolvendo os artistas e o único mote comum é a paixão pelo tema, seja de leitores de velhos quadrinhos, identificação com o monstro do cinema seja de que época for, com o feio, o diferente ou a conexão com o transgressor em si e no trabalho em arte. Trata-se de encontrar o monstro que habita a linha gráfica, cênica, sonora de cada um”, destaca Adriana.

 

A história

Desenho de Monstro foi idealizado a partir do trabalho de dissertação de mestrado em poéticas visuais de Adriana dos Santos, concluído em 1998, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O assunto central era uma reflexão acerca do corpo e a loucura como psicopatologia, que envolveu entrevistas, visitações a instituições psiquiátricas, leituras e tentativas de aproximação com moradores de rua que apresentavam alguma singularidade compulsiva ou comportamento que pudesse ser entendido como portador de doença mental.

Considerando toda complexidade que envolve o assunto e a problemática envolvida, foi necessário um distanciamento do tema e um mergulho em outras águas, não menos complexas, mas para as quais a pintura conduziu que foi a pesquisa em torno do corpo mutilado e uso de próteses, especialmente a cadeira de rodas. Nesta abordagem surge o monstro como ícone simbólico, num sentido crítico, pensado como emblema de todo corpo considerado fora de padrões estéticos. O monstro que concentra todo um histórico humano de deformações, anomalias corporais, mutilações de ordem física, mental, psíquica que acabam por des-socializar o sujeito num isolamento interno e externo.

 

Serviço

O quê: abertura da 4ª edição de Desenho de Monstro

Quando: 10 de setembro, quinta-feira, às 19h
Onde: Fundação Cultural Badesc – Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis – Fone 3224-8846
Entrada gratuita

Exposição aberta para visitação até 18 de setembro.

Corpo e mutilação são tema de exposição na Fundação Badesc

Adriana Maria dos Santos relaciona estados de corpo e alma na mostra Disability.

Linhas e formas compõem as pinturas de Adriana Maria dos Santos na exposição Disability, que abriu em 05 de fevereiro, quinta-feira, às 19h, no Espaço 2 da Fundação Cultural Badesc.

Buscando relacionar os estados do corpo, a artista trabalha com a deficiência e tensão entre os meios externos e internos, relacionando as mutilações com os estados da alma e trabalhando com a impotência do corpo em ser completo, ou seja, aceitar a fragmentação como potência.

“O corpo vem sendo pensado em meu trabalho como meio de dissolução de sentimentos e humores traduzidos pela ação de massas de tinta, linhas e sobreposições que remetem a sentimentos afetivos mal digeridos ou que já não possuem condição ou disposição de serem sustentados”, retrata a artista.

Disability, cujo título deu nome a proposta de doutorado de Adriana, além de repensar a ação do corpo e a dissolução dos sentimentos, traz figuras da iconografia pop que retratam de forma diferenciada a leitura do corpo transgressor.

Adriana Maria dos Santos nasceu em Rio do Sul (SC) e tem doutorado em teatro pela Universidade de Estado de Santa Catarina (Udesc). Mora em Florianópolis, é artista plástica e professora no Centro de Artes da Udesc.

O quê: exposição Disability, de Adriana Maria dos Santos. Quando: visitação até 06 de março, de segunda a sexta-feira, das 12h às 19h. Onde: Fundação Cultural Badesc. Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis. Fone 3224-8846. Quanto: gratuito.